Em meio à polarização que divide o país, a Câmara dos Deputados se prepara para mais um espetáculo. Os parlamentares chegam armados de discursos contundentes, com a firme intenção de polemizar e de defender suas causas. Ao que tudo indica, o plenário será menos um espaço de debate e mais um palco de embates.
Nesse cenário, surge uma estudante mineira de direito, de apenas 21 anos. Ela tem, aparentemente, tudo para chegar à Câmara e se destacar. Conquistou 524.219 votos e tornou-se a mulher mais votada da história de Minas Gerais. Convenhamos: o currículo é impressionante, desde que se leia somente a coluna dos números.
Fora das urnas, o desempenho se repete. No Instagram, são 6,2 milhões de seguidores. No TikTok, mais 1,6 milhão. Para quem mede o valor de uma pessoa pela quantidade de cliques, a mineira já é doutora honoris causa. Resta saber se curtidas substituem argumentos.
Ela promete um discurso forte em defesa das minorias. Pelo perfil, tem tudo para protagonizar embates com os influenciadores da direita. Teremos, portanto, um duelo de seguidores, e não de ideias. Ganhará quem tiver o vídeo mais compartilhado, e não o projeto mais consistente.
Pergunto, então: que maturidade tem uma jovem de 21 anos para ocupar uma cadeira de deputada federal? Os números citados não me impressionam. Eles não medem preparo, experiência nem capacidade de legislar. Medem, no máximo, a habilidade de ser vista.
Lata, quanto mais vazia, mais barulho faz. Por isso, insisto na pergunta que realmente importa: o que o povo brasileiro e o país ganham com isso?