O cantor gospel Davi Sacer escreveu "Espero que piore" ao comentar a alta do dólar e a queda da bolsa depois da reeleição do governo. Ele teve mais de 40 mil votos para deputado federal. Quem recebe tantos votos ganha a confiança de muita gente. Por isso, as palavras dele pesam mais do que as de uma pessoa comum.
Imagine um barco com toda a turma dentro. Se alguém torce para o barco afundar só porque não gostou do capitão, todos se molham, inclusive quem torceu. Com o país é igual. Quando o dólar sobe, muitos produtos ficam mais caros. Quando a economia piora, mais pessoas podem perder o emprego.
Quem sofre primeiro não são os políticos nem os artistas famosos. São as famílias que têm pouco dinheiro. É a mãe que precisa pagar o arroz. É o pai que procura trabalho. Desejar que tudo piore é desejar dificuldade para essas pessoas, mesmo que essa não seja a intenção.
Há também um problema de coerência. Cantores gospel falam de amor ao próximo e de misericórdia. A Bíblia, em 1 Timóteo 2, pede que se ore pelas autoridades. Orar por elas é pedir que governem bem. Desejar que o país piore não combina com esse ensinamento.
Esse jeito de pensar parece comum entre muitos políticos e simpatizantes da direita, sobretudo entre líderes e artistas evangélicos. É a ideia do "quanto pior, melhor". Eles parecem apostar que, se o povo sofrer, o governo perde força. Isso é usar o sofrimento dos outros como arma. Quem influencia milhares de pessoas deveria dar exemplo. Sal e luz? Onde? Nessas cavernas escuras em que se tornou maioria das igrejas evangélicas que não é.
Criticar [com fundamentos e respeito] o governo é um direito e faz bem à democracia. Cobrar, fiscalizar e propor soluções são ótimos caminhos. O certo é torcer para o Brasil dar certo e cobrar de quem governa que faça bem o seu trabalho.
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Nota: Os defensores do cantor dizem que a frase foi um desabafo irônico, escrito como resposta curta a um post de um influenciador, e que ela não representa toda a direita nem todos os evangélicos. Também lembram que o mercado reage a dúvidas sobre os gastos do governo, e que criticar a política econômica é legítimo. Vale refletir sobre o caso?