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Intolerância política e violência no pós-eleitoral brasileiro
A reeleição do presidente Lula expôs um cenário preocupante de intolerância política no país. Em vez de aceitar o resultado das urnas, parte dos eleitores derrotados passou a hostilizar quem votou de modo diferente. Os casos relatados mostram que a divergência, que é natural na democracia, foi tratada como motivo de punição, exclusão e ódio.

Um primeiro conjunto de episódios envolve a discriminação no trabalho e no comércio. Uma pastora, cantora gospel e vereadora sugeriu nas redes sociais a demissão de funcionários que votaram no candidato vencedor. Uma psicóloga e empresária relatou que empresários pediram a exclusão de eleitores do PT de processos seletivos. Um restaurante também pediu que clientes de esquerda não frequentassem o estabelecimento. Essas atitudes ferem o princípio da igualdade, pois condicionam o emprego e o consumo à opção política da pessoa.

Um segundo conjunto envolve a hostilidade de pessoas que ocupam posições de autoridade. Uma professora da rede municipal publicou mensagens incitando violência contra filhos de eleitores do presidente. O vice-presidente de uma seccional da OAB comentou de forma hostil contra manifestantes apoiadores do PT. Esses profissionais têm papel de exemplo social. Por isso, quando incentivam o ódio, ampliam o alcance da intolerância e a legitimam perante a sociedade.

O caso mais grave mostra o ponto extremo dessa escalada. Um jovem de 18 anos esfaqueou a namorada no pescoço porque ela comemorou a reeleição de Lula. A agressão revela que o discurso de ódio, quando normalizado, pode se transformar em violência física. Conclui-se que a democracia exige o respeito ao voto e à diversidade de opiniões. Cabe à sociedade combater a intolerância, promover o diálogo e responsabilizar quem incita a discriminação ou a violência.

Conclui-se que a democracia, para algumas pessoas, é maravilhosa enquanto o resultado agrada. Quando as urnas dizem outra coisa, surge o verdadeiro caráter. Defendem a liberdade de expressão, mas sugerem demitir quem votou diferente. Pregam valores, mas incitam violência contra crianças. Cobram respeito, mas vetam clientes e candidatos a vagas por causa do voto.

Chama a atenção a coerência desses protagonistas. Quem ocupa posição de exemplo, como uma professora ou um dirigente da advocacia, poderia ensinar o diálogo. Preferiu ensinar o contrário. E o jovem que atacou a namorada a facadas por causa de uma comemoração eleitoral entrega a lição final: o ódio, quando aplaudido, não fica na internet.

Esses episódios não são deslizes isolados de comportamento. São retratos nítidos. Revelam quem, na hora do desconforto, abre mão da civilidade, da igualdade e até da empatia. A máscara do cidadão conservador e exemplar caiu com a derrota, e o que apareceu foi intolerância.

A democracia sobrevive à derrota eleitoral. O que ela não suporta é quem só a aceita quando vence. Cabe à sociedade responsabilizar esses atos e à escola formar cidadãos que saibam perder sem odiar.
Maurício Apolinário
Enviado por Maurício Apolinário em 31/10/2026
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"Não existe quem seja incapaz de frequentar a escola. Existe escola que não se capacita para incluir." Carol Souza (@carolsouza_autistando)
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PALESTRANTE, Professor de Língua Portuguesa e Literatura aposentado