Denúncia: igrejas alienam menores eleitores
Fé, autonomia e voto consciente
Algumas igrejas evangélicas, ao orientar politicamente menores de 18 anos que já são eleitores, podem ultrapassar os limites da formação religiosa e aproximar-se da alienação. Quando líderes apresentam candidatos como representantes exclusivos da fé, transformam convicções espirituais em obediência eleitoral.
Surge, então, uma pergunta incômoda: esses jovens estão escolhendo livremente ou apenas reproduzindo discursos de autoridade? A participação religiosa não deve ser confundida com manipulação, sobretudo quando envolve adolescentes em processo de construção da identidade e do pensamento crítico. Igrejas têm direito de defender valores e posições, mas não de impedir o debate, silenciar divergências ou utilizar o medo para conduzir votos.
É preciso incentivar a leitura de propostas, a comparação de ideias e o respeito à pluralidade. Afinal, formar cidadãos conscientes exige estimular perguntas, não impor respostas. A fé pode orientar escolhas pessoais, mas o voto deve nascer da reflexão autônoma e da responsabilidade democrática.
Maurício Apolinário
Enviado por Maurício Apolinário em 25/08/2026
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