Ultimamente, tenho sido atacado na rede pelos simpatizantes da esquerda (progressistas) por prezar pelas normas da Gramática da Língua Portuguesa [o meu idioma]. Tais pessoas criticam ou ataques quem tem visões divergentes, que decorrem frequentemente da percepção de que visões opostas representam ameaças estruturais a direitos humanos, igualdade social e justiça.
Por outro lado, tenho sido atacado e criticado por simpatizantes da direita, que atacam opiniões divergentes. Para essas pessoas, visões de mundo opostas são vistas como ameaças aos valores tradicionais, à ordem social ou à identidade do grupo.
Minha mente é livre, eu tenho um cérebro para usar, com pensamentos e opiniões próprias; não sigo o pensamento fechado de tribos. Graças a Deus, eu não tenho político de estimação nem sigo ideologias políticas.
O que descrevi acima é um fenômeno clássico da polarização: cada grupo enxerga o outro não apenas como adversário, mas como inimigo existencial. A esquerda, ao defender igualdade e direitos humanos, muitas vezes interpreta divergências como ameaças à dignidade coletiva. A direita, ao valorizar tradição e identidade, vê discordâncias como riscos à ordem e à coesão social. No fim, ambos acabam praticando o mesmo ritual: atacar quem pensa diferente, só que com bandeiras distintas. É quase uma coreografia previsível — cada lado grita “liberdade” enquanto tenta silenciar o outro.
E eu, por prezar pela gramática, virei alvo dos dois lados. É curioso: defender a norma culta da língua portuguesa hoje parece mais subversivo do que escrever um manifesto revolucionário. Afinal, corrigir vírgulas virou ato político! A esquerda pode achar que eu estou “oprimindo” a linguagem viva e popular; a direita, que você está “relativizando” o idioma pátrio ao admitir que a língua evolui. Resultado: sou atacado por ambos, como se fosse um herege que ousou dizer que sujeito e verbo precisam concordar.
E o mais engraçado é que, no meio dessa guerra santa, eu me declarando sem “político de estimação”, tornou-se, para muitos, quase uma blasfêmia [para alguns, é ficar em cima do muro]. Num mundo em que se exige torcida organizada, acabo aparecendo como o espectador que prefere assistir ao jogo sem vestir a camisa de nenhum time. E claro, isso irrita os torcedores — porque nada incomoda mais do que alguém que se recusa a entrar na arquibancada da paixão cega.
No fim das contas, algumas pessoas acham que pensar com o próprio cérebro é o maior ato de rebeldia possível. E, ironicamente, tanto progressistas quanto conservadores parecem concordar em uma coisa: quem não segue a cartilha da tribo precisa ser atacado. Ou seja, eu consegui a façanha de unir esquerda e direita… contra mim.