Coração em brasa
Na curva do vento, escuto vozes antigas
que me chamam pelo nome que nunca tive.
O céu se abre em promessas que não entendo,
mas sigo, como quem busca um lar invisível.
O chão vibra com memórias que não são minhas,
e mesmo assim, choro por elas.
Sou feito de saudade que não tem origem.
Vejo o Brasil como sonho bordado em ouro,
com rios que cantam segredos ao luar.
A mata me abraça como mãe esquecida,
e o povo dança sobre dores caladas.
Idealizo um país que talvez nunca existiu,
mas que pulsa em cada lágrima que não nego.
A esperança é o idioma que escolhi falar.
Fugir é meu verbo mais íntimo,
não por medo, mas por excesso de sentir.
A realidade pesa como ferro nas asas,
então voo por dentro de mim,
onde tudo é possível e nada é concreto.
Ali, a emoção é lei,
e o mundo se curva ao toque do coração.
Maurício Apolinário
Enviado por Maurício Apolinário em 20/08/2025
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