"...para com Deus não há acepção de pessoas." (Rm 2:11) - "Deus não faz acepção de pessoas." (At 10:34)
EDUCADOR E PALESTRANTE
Na luta por uma educação inclusiva de alunos com transtorno mental.
Textos
Dia dos Professores: marcas do que se foi
Nesse dia 15 de outubro, eu gostaria de prestar minha homenagem a pessoas especiais, educadoras respeitáveis, que tiveram uma participação bastante sólida em minha educação escolar e como cidadão brasileiro. Cinco educadoras dedicadas, amorosas, criativas, lá dos idos da década de 1960, no Grupo Escolar Coronel Pedro Nunes, imponente na larga avenida descalça com sua imensa escadaria arredondada: Alice, Ormezinda, Hilda, Suely e Dolores. Uma das porteiras da escola era a saudosa e sorridente Dona Clarice, tia materna da dupla Chrystian (Zezinho) e Ralph.

1965. Entrei para a escola com seis anos de idade, coisa muito difícil naquela época, pois não aceitavam. Acontece que eu faria sete anos em junho, no meio do ano, e perderia, na concepção de meu pai, praticamente um ano de estudos. E ele conseguiu convencer a diretora do grupo escolar. Turno matutino. Minha sala ficava bem de frente para a entrada principal, no alto, com duas portas na frente e uma em um dos cantos do fundo, com acesso para outra sala, onde estudavam somente meninas do pré-primário; na sala da frente, somente meninos, entre eles eu, o caçulinha de cabelos à americana. As meninas passavam em fila na lateral de nossa sala, rindo disfarçadamente. Dona Alice era a professorinha, jovem, sorridente, que nos alfabetizou por meio da Cartilha Sodré (para mim, única, inigualável em seu método silábico). Lembro-me bem de meu caderno, pequeno, encapado com papel de embrulhar pão, em cujas folhas ela batia carimbos de bichinhos e outros objetos.

1966. Primeiro ano primário. Nesse ano minha sala era lá no fundo, no corredor à esquerda de quem entrava pela porta principal, e ficava atrás do palco do salão de eventos (e recreio em dias de chuva – um barulho ensurdecedor). Turno matutino. Turma mista. Éramos alunos de Dona Ormezinda, já casada, também ainda jovem, paciente em seu rosto redondo por trás dos óculos. Por falar em óculos, eu também passaria a usar pelo resto da vida após as férias de julho desse ano.

1967. Segundo ano primário. Turno vespertino. Entrando pela porta principal, pegando o corredor à direita, minha sala ficava mais ou menos no meio, quase no canto. A professora era Dona Hilda, que nos ensinou a cantar hinos, civismo e amor à pátria. Ela tinha o rosto mais avermelhado e achávamos que estava um tanto acima do peso (achávamos ou alguns adultos diziam a nós?). Nesse ano eu ganhei uma caixa de lápis de cor como primeiro prêmio de um concurso de redação na escola. O título foi, para variar, “Minhas férias”.

1968. Terceiro ano primário. Turno matutino. Voltamos para o outro lado do prédio, uma sala à frente da última sala, em que fiz o primeiro ano. Dona Suely era a professora. Eu passava na porta de sua casa todos os dias para ir para a escola. Era uma pessoa amorosa, tranquila, elegante em sua saia e blusa.

1969. Quarto ano primário. Turno matutino. Ano em que o homem pisou pela primeira vez na Lua, e nosso recreio era para comentar o assunto. A sala era a mesma do ano anterior. Havia um cantinho de leitura. A professora era Dona Lolita (Dolores), o amor em pessoa, mas dura no momento certo, que saía conosco para o pátio, que trabalhava teatro (eu mesmo participei de uma peça, minha primeira peça de uma série até a década de 1980). Certa vez ela colocou vários alunos no corredor para estudar um ponto de Estudos Sociais. O motivo era nota baixa. Ainda bem que nos deu essa oportunidade. Dona Lolita é a única ex-professora primária com quem ainda tenho contato. As outras, não as vejo nem tenho notícias há décadas.

Saudades desse tempo, saudades e gratidão pelas minhas cinco primeiras professoras, que aqui homenageio nesse dia especial, o dia da mais importante profissão do mundo. E nesse dia também gostaria de homenagear Dona Arlete, a professora de matemática da primeira série ginasial, em 1970, no CEXA, que nos contava trechos do romance francês Papai Falot no final de cada aula. Fatos que nunca mais esqueci.

(Outubro/2010)
Maurício Apolinário
Enviado por Maurício Apolinário em 14/10/2010
Alterado em 12/10/2017
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