CONTRATE AS PALESTRAS DO PROF. MAURÍCIO APOLINÁRIO
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A escola pública e a transferência de problemas
          A escola pública tem deixado de cumprir o seu papel na sociedade no que tange à formação integral dos alunos, principalmente no que se refere a “valores”, permitindo que a mídia – “uma das mais contundentes formas de se propagar e exaltar a violência e a indisciplina” (Giancaterino, 2007, p. 15) – ocupe essa lacuna. Diante da falta de limites e de respeito dos adolescentes que a freqüentam, com a falência da autoridade não somente dos pais, mas também do professor e do diretor (Giancaterino, 2007), a escola pública muitas vezes tem agido de maneira errada quando acometida por problemas de violência envolvendo alunos nela matriculados, ocorrências essas que se passam tanto no seu interior quando no seu espaço externo.

          Em março de 2008, assistindo a um telejornal noturno, pude constatar, mais uma vez, tal fato: duas jovens alunas de uma escola pública (de classe média) espancaram uma outra aluna na frente do prédio escolar, provocando-lhe lesões por todo o corpo, necessitando ser levada a um pronto socorro. Em entrevista, o diretor afirmou que sua atitude comum é a de dar transferência para estudantes que praticam tais atos. Ou seja, juntamente com o aluno, “transfere” também o problema para outra escola. O diretor mostrou-se, assim, despreparado para a função, acompanhado de sua também despreparada equipe pedagógica e dos professores, que querem mais é ver tais alunos pelas costas.

          Mas a falha, aqui, não é somente da equipe escolar. Cabe às secretarias de educação, sejam municipais ou estaduais, o desenvolvimento de políticas preventivas e de conscientização e recuperação de alunos que praticam tais atos. Eles precisam de ajuda, e não de punição; carecem de um acompanhamento psicológico, de amor, de um braço estendido para resgatar-lhes desse mundo de violência no qual se afundam cada dia mais.

         Na falta de um sistema competente que utilize “estratégias ativas desenvolvidas para prevenir problemas disciplinares” (Boynton, 2008, p. 7), a direção da escola, juntamente com sua equipe, prefere sanar apenas o “seu” problema após a ocorrência, ao invés de atacar as causas desse problema. No caso da reportagem em questão, a escola (pública) mostrou-se incompetente em sua missão educacional. Faltou-lhe competência, ou seja, a qualidade de ser capaz de apreciar e resolver o assunto; faltou-lhe autoridade e conhecimentos necessários para o julgamento de tal ato (Ferreira, 1988). Deve ter faltado também um pouco de boa vontade.

          Segundo Giancaterino (2007, p. 99), a expulsão é negativa tanto para o aluno expulso quanto para o próprio estabelecimento de ensino, o qual tem como objetivo preparar “o cidadão do futuro para a vida e para a profissão”. Na opinião do autor, “aluno expulso é possibilidade de cidadão a menos”. Isso deve ser levado em consideração antes de a escola tomar tal atitude extrema. Já foi o tempo em que dar suspensão ou expulsar um aluno era uma estratégia corretiva e surtia, na maioria dos casos, o efeito desejado. O objetivo da repreensão, segundo Estanqueiro (2006), “é ajudar a pessoa a reconhecer os seus erros e motiva-la para proceder melhor”. Em sua concepção de um bom educador, uma de suas características deve ser o tato. E tato para lidar com problemas nas escolas públicas é o que mais tem faltado aos profissionais da educação.

          Ensinar não é tarefa fácil. Isso está bem claro nos dias de hoje, principalmente. Os educadores, além de especialistas em tarefas (aqueles que conduzem o ensino-aprendizagem dos alunos em sala de aula no que se refere a conteúdos e trabalhos a eles relativos) – e isso juntamente com diretores, coordenadores pedagógicos, psicopedagogos e companhia limitada -, precisam ser especialistas sócio-emocionais, o que significa saber trabalhar conflitos dentro e fora da sala de aula. De acordo com Cardoso (2007, p. 19 e 20), “ser profissional pressupõe, além de uma preparação específica para realizar as tarefas da área de atuação, um processo de desenvolvimento permanente para fazer frente aos desafios constantes que deve enfrentar”.

          Voltando ao caso mencionado anteriormente, ocorrido em uma escola em março de 2008, não podemos nos esquecer de que: na maioria dos casos, a direção da escola e sua equipe já tentaram de tudo com esses alunos problemáticos, como dar-lhes conselhos e advertências, informar e conversar com os pais, acionar o conselho tutelar, e esses alunos − superprotegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente − insistem em continuar aprontando as suas. Desta forma, não há mesmo jeito. Se tudo foi feito, a equipe escolar passa a temer a presença de tais alunos na escola, pois tornam-se um risco para professores e demais alunos. O jeito mesmo é solicitar aos pais que a transferência.

          A escola pública deve, portanto, resolver ela mesma os seus problemas com discernimento e competência. No mais, estará deixando de cumprir um de seus mais importantes papéis na sociedade. Entretanto, no limite da paciência − o mais comum hoje − o bom senso pede que providências cabíveis sejam tomadas. A transferência do aluno é a mais viável.


Referências bibliográficas:
BOYNTON, Mark & BOYNTON, Christine. “Prevenção e resolução de problemas disciplinares: guia para orientadores”. Porto Alegre: Artmed, 2008.
CARDOSO, Bia (org.). “Ensinar: tarefa para profissionais”. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.
ESTANQUEIRO, Antonio. “Saber lidar com as pessoas: princípios da comunicação interpessoal”. Lisboa: Editorial Presença, 2006.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. “Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa”. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1988.
GIANCATERINO, Roberto. “Escola, professor, aluno: os participantes do processo educacional”. São Paulo: Madras, 2007.

Leia também o artigo "Sentimentos e emoções: professor é gente".
Maurício Apolinário
Enviado por Maurício Apolinário em 15/02/2012
Alterado em 18/03/2014
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